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Os câmbios automáticos, tradicionais ou do tipo CVT (de polias continuamente variáveis), já equipam boa parte dos veículos produzidos no Brasil, estão em cerca de 25% dos carros vendidos no País, incluindo vários hatches compactos mais populares, mas essa proporção sobe para quase 100% em linhas de sedãs médios, como Toyota Corolla e Honda Civic, ou SUVs, como Honda HR-V e Jeep Compass, só para citar os mais procurados de cada categoria. Contudo, todas essas caixas são importadas e não há no horizonte nenhum fornecedor com planos de localizar a produção do componente.

“Hoje o câmbio automático é uma tendência também no Brasil. O consumidor aqui passou a investir nesse conforto e já vemos aqui muitos carros nacionais, inclusive compactos, usando diversos tipos de caixas automáticas, como de quatro, seis e até nove velocidades, além do CVT”, reconhece Ronaldo Ito, supervisor de projetos de pesquisa e desenvolvimento da japonesa Aisin, que já fornece transmissões automáticas tradicionais e CVT importadas para diversas montadoras no País, como FCA (Fiat e Jeep), PSA (Peugeot e Citroën), Volkswagen e Toyota – esta última sua principal acionista.

Ainda assim, Ito diz que por enquanto não vê nenhuma chance de se produzir este importante componente do powertrain no Brasil. “A Aisin não tem nenhum projeto nesse sentido e não conheço nenhum outro fornecedor que tenha. Ainda não há escala suficiente para isso e não vejo essa possibilidade nos próximos 10 anos”, avalia – mas ressalva que esse quadro pode mudar caso seja introduzida alguma política de incentivo para isso, como poderá ser o caso da Rota 2030, a nova política industrial para o setor automotivo em discussão atualmente no governo.

Ele também lembra que a Aisin só passou a produzir caixa de câmbio manual de seis marchas no Brasil, fornecido para o Toyota Etios, por causa das exigências de nacionalização do Inovar-Auto, programa que termina no fim deste ano. “Não fosse pelo Inovar-Auto, talvez nem isso fosse feito aqui”, diz. Em 2014 a Aisin anunciou investimento de R$ 140 milhões para fabricar em sua planta de Itu (SP) componentes de motor e câmbios para suprir a fábrica de motores da Toyota perto dali, em Porto Feliz (SP); ambas entraram em operação no ano passado.

FALTA DE ESCALA E FORNECEDORES

Ito diz que a escala atual seria suficiente se todos os fabricantes de veículos comprassem de um só fornecedor apenas um tipo de câmbio automático, o que não é o caso. “Existe no mercado hoje uma infinidade de tipos disponíveis, uns usam caixa de quatro velocidades, outros de seis, ou CVT. Não há volume suficiente para cada um desses para justificar a produção local”, explica. Segundo ele, as fábricas de transmissões da Aisin no Japão operam com volumes de 2 milhões a 3 milhões de unidades/ano, algo distante da realidade brasileira.

Outra questão seria desenvolver no Brasil a cadeia de fornecedores para fabricar transmissões automáticas. Ito calcula que ficaria “muito caro” fazer esse desenvolvimento local. Para garantir a qualidade, será necessário importar diversos itens e o componente nacional pode até ficar mais caro do que o importado produzido em larga escala no exterior.

Uma ironia dessa situação é que o mercado brasileiro e alguns outros países subdesenvolvidos sustentam atualmente a escala de produção de alguns modelos ultrapassados de câmbio automático. É o caso, por exemplo, da ineficiente e velha caixa de apenas quatro velocidades fornecida pela própria Aisin para o Toyota Etios nacional, que já não é mais adotada em veículos japoneses. Também é o caso da limitada transmissão automática de quatro marchas que a Renault usa para equipar as versões 2.0 do Duster e Captur, powertrain ainda produzido na França só para exportação ao Brasil e Rússia. A PSA Peugeot Citroën usava a mesma tecnologia obsoleta e somente este ano começa a colocar em seus modelos brasileiros a caixa de seis marchas da Aisin. Apesar da expansão do uso, a nacionalização do componente segue incerta.

Fonte: Automotive Business

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