COMPARTILHAR

Por G1 Carros

Novo motor 1.5 turbo de 190 cavalos agrada na condução, mas preço alto de pacote único prejudica custo-benefício do SUV.

Enquanto o HR-V segue na balada do sucesso no Brasil, seu “irmão maior”, o CR-V, não consegue um desempenho parecido. A chegada da nova geração do SUV pode mudar isso, se não em vendas, mas ao menos na imagem do carro.

Vendido na versão única, Touring, por R$ 179.990, o modelo não será um “best-seller” devido ao alto preço e também pelo número restrito de unidades para o país: são apenas 500 carros para este ano – ele é importado dos Estados Unidos.

De acordo com a Honda, o número é reduzido por causa da demanda maior pelo carro em mercados como americano, o que faz a disputa das filiais pelo veículo ser é alta. Por enquanto, a produção local, que poderia baratear o carro, não está nos planos.

Foram 6 anos desde as últimas grandes mudanças no CR-V, a 4ª geração do CR-V havia chegado ao Brasil em 2012 e depois foi renovado em 2015.

Comparando com o anterior, a evolução do CR-V 2018 é bem grande. O carro ficou menos “tiozão” e ganhou novo motor 1.5 turbo, o mesmo do Civic Touring (o mais caro), mas um pouco mais potente, com 190 cavalos (16 a mais que o sedã).

Alguns dispositivos tecnológicos também atraem, como a câmera no retrovisor direito, que mostra ampla visão do que está acontecendo na respectiva lateral e parte da traseira do veículo.

O modelo também possui o fechamento ativo da grade dianteira, que melhora a aerodinâmica do carro. Quando se atinge certo nível de resfriamento do motor, ela se fecha, reduzindo o arrasto.

Mesmo com esses itens, o CR-V ficou devendo o pacote de segurança Honda Sensing, disponível nos Estados Unidos, por exemplo, que não está no Brasil nem como opcional (veja abaixo o que ficou faltando).

  • Ar-condicionado digital
  • 6 airbags
  • Controles de tração e estabilidade
  • Acesso e partida ao veículo por chave presencial
  • Freio de estacionamento elétrico
  • Sensores de luz e chuva
  • Teto solar
  • Central multimídia de 7 polegadas
  • Bancos dianteiros com regulagens elétricas
  • Luzes diurnas de LED
  • Farol e lanterna de LED
  • Fechamento ativo da grade dianteira
  • Rodas de alumínio de 18 polegadas
  • Partida remota do motor
  • Head-up display

O que ficou faltando?

  • Alerta de colisão frontal
  • Frenagem automática
  • Assistência de permanência na faixa
  • Controle de cruzeiro adaptativo
  • Aviso de ponto cego
  • Farol alto automático

Quem são os concorrentes?

Conheça os concorrentes do CR-V (Foto: G1/Divulgação)
Conheça os concorrentes do CR-V (Foto: G1/Divulgação)

O segmento dos SUVs médios vem crescendo em opções. Um dos lançamentos mais recentes foi do Chevrolet Equinox, que traz preço e o motor de 269 cavalos como atrativos.

O CR-V ainda compete com Jeep CompassPeugeot 3008 e Hyundai Tucson, além de versões de entrada do Audi Q3 e BMW X1.

Dentro do CR-V

No evento de lançamento, o G1 rodou 150 km com o CR-V por um pequeno trecho urbano e o restante em estrada. Uma metade do trajeto foi feita ao volante e a outra, como passageiro.

Isso foi o suficiente para notar que o conforto é um dos pontos altos do Honda. O assento acomoda bem o motorista e os dois assentos dianteiros contam com ajustes elétricos.

Chama a atenção é o isolamento acústico interno. Além do motor não ser muito ruidoso e nem o CVT ser escandaloso, o modelo tem dispositivo que emite frequência sonora para abafar o som exterior, algo parecido com o que vemos em alguns fones de ouvido mais modernos.

1.5 turbo caiu bem no SUV

O antigo CR-V tinha motor 2.0 aspirado que se mostrava fraco para o tamanho do SUV. Com o 1.5 turbo, a história é outra. Apesar de ser o mesmo motor do Civic Touring, para o CR-V ele foi retrabalhado com mudanças no turbo, daí a potência maior.

Trabalhando com o já mencionado câmbio CVT, ele deixou de lado aquela sensação de carro “pesadão”. Por incrível que pareça, o CR-V ficou até ágil para rodar na cidade e, na estrada, o conjunto desenrola bem a velocidades médias de 120 km/h.

O CVT também garante boas retomadas e simula as trocas de marchas. Até é possível uma condução mais esportiva por meio das borboletas atrás do volante.

Com a tração integral, a sensação é de um carro “bem no chão”, em questão de estabilidade, apesar da carroceria mais alta de SUV. Um detalhe interessante é que é possível acompanhar pelo painel como está distribuída a tração nas rodas do carro em tempo real.

Acabamento é bom e básico

O acabamento do CR-V é bem feito e não se tem a sensação de excesso de plástico. Apliques que simulam madeira e superfícies texturizadas passam uma boa impressão, mas nada de ostentação, pelo contrário. A cabine é bem sóbria, fiel ao estilo da Honda.

Mas o espaço interno é o que se destaca dentro do SUV. Comparado ao modelo anterior, o CR-V cresceu e área para pernas no banco traseiro aumentou em 5,3 centímetros. Existe espaço suficiente para levar 5 pessoas com conforto.

No quesito porta-malas, o CR-V leva vantagem frente aos principais rivais: são 522 litros que podem ser expandidos para 1.084 kg, com o rebatimento dos bancos.

Além de ser aberto por botão na chave, o porta-malas também tem uma inusitada função na qual você dá um “chute” no ar embaixo do porta-malas, com a chave na mão, e a tampa abre. Mas o sistema não se mostrou muito prático: melhor usar o botão na chave mesmo.

Com todas essas novidades, o CR-V rejuvenesceu, mas o alto preço o deixa com um custo-benefício inferior ao que se vê na concorrência.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui